ENTREVISTA EXCLUSIVA: CONVERSAMOS COM RÜFÜS DU SOL, HEADLINERS DO MITA FESTIVAL ESTE FIM DE SEMANA NO BRASIL

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ENTREVISTA EXCLUSIVA: CONVERSAMOS COM RÜFÜS DU SOL, HEADLINERS DO MITA FESTIVAL ESTE FIM DE SEMANA NO BRASIL


James Hunt, do Rüfüs du Sol, fala sobre a diferença entre live set no MITA Festival e DJ set na afterparty da ARCA, expectativas, artistas brasileiros, como foi ganhar um Grammy e mais

créditos: Amelia Holowaty Krales / The Verge

Com mais de uma década de carreira, hinos absolutos nas pistas de dança – como Innerbloom, Eyes Underwater – e recém-vencedores do Grammy de melhor faixa de música eletrônica, o projeto australiano Rüfüs du Sol chega ao Brasil para uma sequência de shows aguardadíssimos pelo público.

“Alive”, faixa do novo álbum “Surrender” venceu o Grammy 2022 na categoria Best Dance/Electronic Recording.

Um dos live acts mais aclamados da cena, Rüfüs du Sol será o headliner do MITA Festival sábado, 14 de maio, em São Paulo e domingo (22) na edição carioca do festival. Os fãs paulistanos ainda podem contar com um afterparty imperdível na ARCA – que já deu sold out! –, no formato DJ Set, logo após o show do dia 14.

Tivemos a oportunidade de conversar com exclusividade com James Hunt, baterista do trio, e esclarecer dúvidas, como a diferença do live set em relação ao DJ set, além de saber mais sobre as expectativas, recepção do público brasileiro, o que eles sabem da cena nacional e, ainda, ensinamos ele a perguntar onde é o after em português – e algo me diz que ele deve usar bastante esse aprendizado nos próximos dias. O papo está imperdível e você pode conferir na íntegra agora, como preferir: lendo abaixo (traduzido em português) ou no podcast (em inglês).

RTH: Somos grandes fãs de vocês e estou empolgada demais pro show de sábado. Manda ver, Tiago!

Tiago Melchior: É uma honra falar contigo, James! Antes de mais nada, bem-vindo ao Brasil e parabéns pelo novo álbum de vocês “Surrender”. É bom demais! E parabéns por terem ganhado um Grammy por causa dele. Que responsa, cara! 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Pô, muito obrigado! Sinceramente, é bem surreal da gente se dar conta que ganhamos um Grammy. É um sonho de muito tempo e mal posso acreditar que fomos reconhecidos pelo nosso trabalho com um prêmio deste nível. E ganhar ele, receber esse reconhecimento, é muito doido! E também é legal demais ter lançado esse novo álbum. Foi bem significativo pra gente. Ele resume nossas experiências dos últimos anos, em que ficamos presos fora da Austrália por causa da pandemia. Mas conseguimos encontrar uma habilidade de nos render* ao processo de compor músicas, sabe? E foi uma experiência muito bonita. Pudemos nos reconectar como uma banda e estou muito orgulhoso do que criamos.

*”Render” foi a tradução de “Surrender”, que também é o nome do álbum

Tyrone Lindqvist, Jon George e James Hunt – aka Rüfüs du Sol – juntos ao produtor Jason Evigan e o engenheiro de mixagem Cassian recebem o Grammy por “Alive”, faixa do novo álbum “Surrender”, na categoria Best Dance/Electronic Recording. Créditos: David Becker/Getty Images.

Tiago Melchior: Que demais! É um álbum lindo, eu realmente amei. E, preciso te dizer: o Brasil AMA vocês. De verdade. Eu queria saber o seguinte: vocês sentem a diferença na recepção e nas mensagens que vocês recebem dos brasileiros comparado ao resto do mundo? 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Sinceramente, os fãs brasileiros são os mais apaixonados e animados. Eu recebo tantas mensagens cheias de amor. Obviamente, os “come to Brazil“… são tantos comentários!

Tiago Melchior: Come to Brazil” é um clássico, né? (Risos)

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Sim! E são tantos… eu amo isso! Deixa a gente tão empolgado de finalmente estar aqui. Porque estivemos há 3 anos no Lollapalooza. Mas, obviamente, não pudemos voltar por um tempo, por causa da pandemia. Somos muito sortudos por poder estar fazendo shows de novo e finalmente voltar pro Brasil, sabe? Eu conheci alguém nessa mesma época em São Paulo, 3 anos atrás, e ele era um fã. Ele era tão legal e querido, e disse o quanto nossa música tem ajudado ele… isso realmente significa muito pra mim.

Tiago Melchior: Ah, que incrível! E você já sabe algumas palavras em português? Tem alguma favorita? 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): “Obrigado!”, eu realmente estou bem na superfície, é tudo o que eu sei. Mas talvez, é… eu preciso de uma ajuda. (Risos)

Ana Cavalcante: Bora ensinar ele! “Vamos para o after!”.

Tiago Melchior: É, essa é uma boa! Vou te ensinar uma frase aqui, James. In Brazil we say “onde é o after?” and I think it’s beautiful! (Risos)

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Onde é o…?

Tiago Melchior: “Onde é o after.”

James Hunt (Rüfüs Du Sol): “Onde é after?”

Tiago Melchior e Ana Cavalcante: “Onde é o after?”, simmm! Muito bom!

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Ok, o que significa?

Tiago Melchior: “Onde é o after?” significa: “Where is the afterparty?“. É uma pergunta, entende? É tipo um meme.

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Ahhh! Isso é muito útil! Mais útil que “obrigado”!

Tiago Melchior: É verdade, a galera vai amar, vai por mim! 

Ana Cavalcante: E sábado a gente tem um after. Vai ser demais ver vocês no show! 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Sim! É isso, e todo mundo vai estar perguntando “onde é o after?”!

Tiago Melchior: É verdade! (Risos) Bom, a cena brasileira de música eletrônica tem crescido demais nos últimos anos e tem um monte de artistas nossos sendo notados mundo afora. Artistas como o Vintage Culture, por exemplo, que fez um baita remix do som de vocês “Next To Me”. Você conhece outros artistas daqui? Tem algum favorito? 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Olha, confesso que não estou muito familiarizado… o Vintage Culture é um artista muito influente, tá mandando muito e o remix dele de “Next To Me” é um dos meus favoritos. Nós tocamos ele nos DJ sets que fazemos. Hm… eu tenho visto um monte de vídeos de um DJ chamado Mochakk. Acho que ele é brasileiro, né?

Tiago Melchior: Ah, sim! O Mochakk tá super hypado agora. 

Ana Cavalcante: O Mochakk é brabo! 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Sim, ele tá quebrando tudo! Fora isso, eu tenho certeza que tem um monte de músicas de artistas brasileiros que eu ouço, mas sem perceber que são brasileiros. Mas tem algo foda rolando por aqui. A gente sempre vê vídeos da galera tocando em clubs incríveis. Eu vejo que o público aqui entende a música eletrônica. Eles sacam e amam a energia dela. E a última vez que viemos nos sentimos muito conectados. O público entendeu o que estávamos tentando fazer e sentimos essa energia incrível no Lollapalooza há uns anos. Foi um dos meus sets favoritos que já fizemos, porque todo mundo tava tão entusiasmado, apaixonado por aquilo…

Tiago Melchior: Eu tenho certeza que desta vez vai ser ainda melhor, porque eu acredito que Rüfüs du Sol foi um dos artistas mais ouvidos do Brasil durante a pandemia. Esse tipo de house melódico, com vibes mais progressivas e coisas assim… a galera tá curtindo muito esse som. E como vocês trazem sonoridades tão bonitas e… esses tipos de vibe foram muito úteis nesses tempos difíceis, sabe? Eu acredito que ajuda demais.

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Isso é muito bom de ouvir! Eu acho que quando fazemos música, a gente quase tenta criar um outro mundo pra onde podemos escapar. Antes de escrever as letras, nós criamos os sons usando nossos sintetizadores e tentamos criar texturas bonitas e fazendo tudo soar… como “Underwater“…

Tiago Melchior: Na real, tem uma paisagem, né? Eu vejo isso no trabalho de vocês. Dá pra ver que esse novo álbum tem uma ambiência específica e já o álbum “Solace” tem todo aquele lance com o deserto, com Joshua Tree e coisas assim, certo? 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Exatamente! Tem uma sensação de diferentes lugares na nossa música e eu acho que, sabe, as mensagens que ouvimos dos fãs do Brasil e de todo o mundo enquanto estavam no lockdown durante a pandemia… elas encontraram um lugar pra escapar pra um outro mundo, e tem uma sensação de libertação na música… significa demais pra gente que nós pudemos proporcionar isso. E pra nós também foi uma libertação e uma escapatória pra gente apenas criar a música. Então foi um ciclo completo.

Tiago Melchior: Bom, tem uma diferença bem clara entre o live set de vocês e o DJ set, certo? Podemos dizer que o primeiro é mais mainstream e o outro mais underground? Que diferenças o público pode esperar do live set no MITA Festival e do DJ set na afterparty da ARCA?
James Hunt (Rüfüs Du Sol): O principal ponto é que nós somos um projeto live, uma banda. Isso é o que desde o início nos propusemos: a ser uma banda. Nos nossos últimos shows eu toquei bateria, tiveram guitarras bem maneiras, teclados… mas aí no estúdio nós todos escrevemos, nós todos produzimos, nós todos contribuímos. É bem igualitário. E aí tocamos ao vivo como uma banda e eu amo fazer isso. Sim, é um pouco mais mainstream. Já no DJ set tocamos nossas músicas eletrônicas favoritas. Nós podemos tocar coisas mais dark, nos divertir e improvisar um pouco mais, enquanto o live set é mais ensaiado, tem partes bem ensaiadas. Eles têm diferentes elementos de criatividade. Enquanto no live set a cada noite eu posso tocar ligeiramente diferente, sabe, tem um pouco de improviso aí, mas no DJ set é bem diferente, a criatividade é “vamos loopar esta parte e colocar esta acappella de outra track“. É, são duas experiências igualmente incríveis, mas bem diferentes. 

Ana Cavalcante: Bom, sábado vamos ver qual é diferença lá no DJ set e no show! James, obrigado demais pelo seu tempo. Esta entrevista pra gente é muito importante. Nos vemos no MITA! 

Tiago Melchior: Muito obrigado! Estamos muito animados pra cantar “Alive” junto com vocês! 

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Muito obrigado, caras! Onde é o after?

Tiago Melchior: É! “Onde é o after?”! (Risos) Isso vai ser útil, use! Valeu demais, James, foi um prazer!

James Hunt (Rüfüs Du Sol): Eu amei! 


 

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