Vamos começar pelo fato de que lançar pela Diynamic, gravadora do mestre Solomun, é para escolhidos a dedo. Inclusive, foram pouquíssimos brasileiros a emplacar um lançamento por lá, ainda mais, produtoras mulheres. Agora, imagine: produtora, mulher, tímida, porém, inquieta e do interior do Rio Grande do Sul. Ah! E, para completar, entregando de cara um ‘full’ EP com quatro faixas?


Foto: divulgação


Essa é Mila Journée, que apresenta ao mundo, nesta sexta-feira, 28 de outubro, “Serendipity”. “Eu demorei para acreditar. Na verdade, até assinar o contrato, eu sempre achava que eles poderiam mudar de ideia [rs]”, conta a produtora.


Apesar de uma das faixas nunca terem sido tocadas por Solomun, ou pelo menos, não houve conhecimento por parte de Mila; e uma track que ele tocou várias vezes não ter entrado no EP, o label boss da Diynamic não voltou atrás. “Tem sabor de conquista mesmo, porque conseguir um lugar ao Sol na cena eletrônica brasileira não é fácil, todos sabem. Ainda mais, sendo mulher. É só conferir os line ups das festas para confirmar isso. Fora do Brasil, por incrível que pareça. É mais fácil, pelo menos foi assim para mim”, revela.



Mila começou a tocar em festas da sua região antes de entrar na faculdade, onde se tornou bióloga. “Quando eu quis voltar a tocar, o mercado havia mudado completamente e não havia espaço”. Foi assim que, em 2017, decidiu iniciar os estudos de produção, para que, segundo ela, não dependesse de ninguém que não fosse de si mesma.


No final do mesmo ano, já estava lançando seu primeiro EP, "Progression In The Air", encontrando as linhas do melodic techno e techno. E, em 2019, teve a primeira capa no Beatport e em charts oficiais com o lançamento de “Quanta”, de quatro faixas, pela Awen Records. “De lá, pra cá, lancei em labels incríveis como Ritter Butzke, 300Grad, Hiato Music – da BLANCAh e do Binaryh – entre outras”.