Mesclando entre juventude e experiência, com vivências das mais valiosas, a primeira edição do C6 Fest provou que música é fundamental para qualquer idade ao juntar atrações de diversas gerações. Numa plateia compreendida em maior parte na faixa de 30 a 60 anos, foi comum ver pais e filhos curtindo juntos sonoridades atemporais que ainda fazem sucesso.    


Descendente direto do saudoso Free Jazz (1985-2001) e Tim Festival (2003-2008), ambos organizados pela Dueto Produções de Monique Gardenberg, reuniu com excelência indie, rock alternativo, eletrônica e jazz em uma curadoria das mais aplicadas formada respectivamente por Hermano Vianna, Ronaldo Lemos, Felipe Hirsch, José Nogueira e Pedro Albuquerque.


Realizado de 18 a 20 de maio, no Rio, e entre os dias 19 e 21, em São Paulo, é patrocinado pelo banco digital C6. Com programação arrojada, 80% dos nomes internacionais fizeram sua estreia no Brasil. Em São Paulo, os shows foram sediados no parque Ibirapuera. Dividido em quatro palcos, o público pôde desfrutar de apresentações em áreas como tenda Heineken, MetLife (principal), Pacubra e, na sexta e domingo, no Auditório.


Os ingressos foram vendidos separadamente para cada espaço (custando a partir de R$ 370, com o combo para ter acesso a tudo nos três dias a partir de R$ 1.750), criando mini festivais dentro do todo. A separação por gêneros musicais tinha como objetivo garantir boa experiência, apesar de ser algo que prejudica "descobertas" para aqueles que preferem ir explorando possibilidades no decorrer do evento.


O espaço Pacubra, que funcionou muito bem ao ter características de "after oficial" quando os shows dos outros palcos já haviam encerrado, apresentou em parceria com o Grupo Tokyo a curadoria de DJs. O coletivo paulistano Gop Tun e o nova-iorquino Disco Tehran deram o tom na primeira noite.


Foto: divulgação


Apesar de questionada, a ordem das apresentações de sábado no palco principal se mostrou a melhor que poderia ser. O pontapé foi dado pelo Model 500. Formado por Juan Atkins, Milton Baldwin e Mark Taylor, o trio trouxe conforme esperado muitos timbres industriais, vozes robotizadas e batidas quebradas, fazendo o público que ia chegando aquecer enquanto o ápice da noite se aproximava. Foi a oportunidade de apreciar um dos pioneiros do techno de Detroit. Ótima preparação ao ato mais aguardado: Kraftwerk.